A farsa do sal do Himalaia

Extraído a partir do mar fossilizado que existia aos pés da cordilheira do Himalaia, o sal recebe uma coloração rósea devido a quantidade de óxido de ferro e pode ser usado como elemento decorativo ou moído, da mesma forma que o sal refinado comum.

Queridinho dos descolados, promete ter menos sódio e está nas prateleiras de qualquer supermercado, mas pouca gente sabe o que verdadeiramente é o tal ‘sal do Himalaia’, vendido como uma alternativa mais saudável que o tradicional sal branco.

Diversos benefícios são atribuídos a este sal e muitos deles podem parecer mais elementos de marketing falsos do que vantagens realmente comprovadas. Isso porque todos os elementos minerais como o fósforo, bromo, boro e zinco estão em quantidades tão pequenas que acabam não fazendo diferença no nosso organismo. Além disso, esses minerais podem ser facilmente obtidos em outros alimentos.

a grande diferença entre o sal refinado e o do Himalaia está no sódio: enquanto 1 grama de sal refinado contém 400 mg de sódio, o Sal do Himalaia contém 230 mg. O sal refinado light também conta com 50% menos sódio que o comum (197 mg).

Por isso, mesmo não oferecendo quantidades significativas de minerais, o Sal do Himalaia parece ser uma opção mais natural e saudável por conter menos sódio e não ser processado artificialmente com outros produtos perigosos para nossa saúde. Ainda assim, há que se ponderar sobre o custo/benefício do produto, já que o seu preço é bem mais salgado.

O Sal do Himalaia também está sendo usado em esfoliações de partes sensíveis da pele para restauração celular,  mas isso também é possível de ser obtido com sal grosso comum.

Trocando em miúdos, o sal do Himalaia não é nada milagroso. Pelo contrário. A política de saúde pública (iodação do sal) acaba prevenindo o bócio por déficit de Iodo, tão comum em décadas passadas, no interior do Brasil. O sal rosa do Himalaia não recebe iodação, sendo comercializado sem iodo e a falta de iodação pode gerar repercussões metabólicas. O consumo exclusivo do mesmo pode estar ligado a um maior risco de deficiência de iodo.

Além disso, o benefício propagado de que este sal contém 84 minerais em sua composição é uma informação equivocada. O sal do Himalaia contém ‘traços’.

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Sal negro do Havaí: saúde não tem cor. (Foto: reprodução/mercadolivre)

Como atesta o Dr. Frederico Lobo em artigo publicado no blog sosendocrino, “as quantidades (dos 84 mineirais) tão ínfimas que você adquire consumindo 200ml de água natural.  Não há nenhuma evidência publicada em revistas ou jornais científicos mostrando que a substituição de sal branco por sal do Himalaia traga benefícios para a saúde.”

Na lista de minerais citados na embalagem, qualquer pessoa que se dê ao trabalho de ler notará que uma série deles são radioativos como Rádio, Urânio e Polônio. Também compõem a lista, minerais tóxicos, como o Tálio.

Seria arriscado então consumir Sal do Himalaia? Não, pelo mesmo motivo: são traços, quantidades ínfimas. 

“Se os vestígios de 84 minerais presentes são benéficos,  porque não acreditar que os vestígios de minerais radioativos e tóxicos possam ser ruins?” – questiona o médico.
 
É bom ter cuidado com estas ‘modinhas’ e não ir dando crédito a tudo o que se ouve em conversas de corredor de supermercado. O sal rosa do Himalaia é apenas uma destas novidades que aparecem de tempos em tempos, como o sal negro do Havaí, e nos chegam incensados como produto miraculoso que, na verdade, não passa de mais um engodo para pegar o consumidor desavisado, aquele que embarca em qualquer promessa de vida melhor.
 
Sem estudos clínicos e comprovação científica dos seus benefícios, o sal do Himalaia está mais para uma grande farsa.

 


 

Com informações de megacurioso, sosendocrino, desconstruindomitosemsaude, poisonfluoride e cienciadanutricao.

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p style=”text-align: justify;”>Crédito imagem destacada: reprodução / sodetox

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Vlamir Duarte

Vlamir Duarte

Graduando em Rádio & TV, natural de Bananeiras, apaixonado por artes, fotografia e formas de instigar o pensamento. No Portal Livre iniciei minha experiência profissional como redator, tendo depois exercido o cargo de chefe de reportagem e colunista. Escrever sempre foi meu hobby, contestar a melhor maneira de aprender a lutar por uma imprensa livre e isenta.

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