Alcoólicos Anônimos completa 70 anos no Brasil e 44 Anos em João Pessoa

Na Paraíba nenhuma festa de arromba foi programada, mas neste mês de setembro, quase 6.000 pessoas, homens e mulheres que deixaram de beber, reconstruindo suas vidas e seus lares, certamente, têm motivos de sobra para comemorar em seus 200 grupos locais, os 70 anos da chegada de Alcoólicos Anônimos no Brasil.

Isso porque o alcoolismo já foi reconhecido há muito tempo como um problema de saúde pública. Nos últimos anos, novas soluções e alternativas para o problema têm sido sugeridas. Uma delas é o A.A. que oferece um programa recuperação eficaz e barato para quem tem o desejo de parar de beber.

Do ponto de vista médico, o alcoolismo é uma doença crônica, com aspectos comportamentais e socioeconômicos, caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, na qual o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a mesma é retirada.

Quando e como A.A. chegou ao Brasil

No acervo histórico da Irmandade está registrado que o movimento começou no Brasil em 1945, com a chegada dos primeiros membros de A.A. dos Estados Unidos, em missão profissional. O serviço iniciou, entretanto, um ano depois com a chegada de Herbert D. (Herb). Nos documentos constam que o primeiro Grupo chamou-se Grupo de A.A. Rio de Janeiro (“A.A. Rio Nucleus”), para os americanos, como resultado das reuniões que eles realizavam, em rodízio, por suas residências, a partir do ingresso de membros brasileiros.

Devido a esses documentos, a data do início da atividade grupal do A.A. brasileiro foi convencionada, mais tarde, pela Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil (JUNAAB) como sendo cinco de setembro de 1947, data do ingresso do primeiro membro brasileiro, de nome Antônio. Seis meses depois, ingressou Harold W., seguido de outros brasileiros.

Em abril de 1952, o iniciante A.A. brasileiro passou a receber ajuda valiosa do saudoso doutor Paulo Roberto, radialista de grande audiência, no apogeu da radiodifusão do país, que através de seus programas “Nada Além de Dois Minutos” e “Obrigado Doutor”, divulgou a irmandade. Assim também o fez outro radialista de renome, Lourival Marques, através do seu programa “Seu Criado. Obrigado”. A partir daí o movimento se desenvolveu e resultaram hoje em seis mil Grupos em todo o Brasil, estimando-se 800 mil alcoólicos em recuperação.

Alcoólicos Anônimos em João Pessoa

No estado da Paraíba, os Alcoólicos Anônimos são reconhecidos de utilidade pública pela Lei nº 5.383/1991, de 30.01.1991. Completou 53 anos, com a formação do Grupo de A.A. Centenário, no dia 26 de agosto de 1964, em Campina Grande.

Em João Pessoa, o movimento funciona há 44 anos e dias, completados no dia 01 de setembro, com a formação do seu primeiro grupo, denominado de Grupo de A.A. Nego, originando-se daí cerca de 60 grupos que oferecem 180 reuniões por semana.

O A.A. é uma irmandade mundial de homens e mulheres, todos alcoólicos, que se ajudam mutuamente a manter a sobriedade, compartilhando suas experiências com qualquer uma pessoa que possa ter problemas com a bebida.

Sem se vincular a nenhuma seita ou religião, a irmandade não faz internações, não faz internações, não realiza tratamento médicos ou psiquiátricos e nem qualquer tipo de beneficência ou assistência social.

Sua atuação se efetua através de um Programa de Recuperação sugerido para aplicação na vida diária do alcoólico e de reuniões realizadas pelos seus Grupos, onde cada um conta como era antes de conhecer A.A.; o que aconteceu consigo e como está vivendo agora, bem como ouve outros irmãos e irmãs fazerem a mesma coisa, fortalecendo deste modo seu desejo de permanecer abstinente.

Alcoólicos Anônimos não cobra taxas, sobrevive à custa de colaboração espontânea de seus próprios integrantes e não aceita nenhum tipo de donativo ou contribuição vida de fora da Irmandade, mantendo-se livre de injunções políticas ou financeiras que possam vir prejudicar seu propósito primordial: levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre.

Outra característica fundamental de A.A. é a colocação dos princípios chamados de Doze Passos, Doze Tradições e Doze Conceitos acima das individualidades, razão pela qual o anonimato dos membros é cuidadosamente preservado na mídia e redes sociais.

Seminário para profissionais amigos e familiares

Mas não é somente de evitar o primeiro gole e de trocas de experiências que vive Alcoólicos Anônimos. Para os seus membros ação é uma palavra mágica. Baseados nesse lema, ontem, (14), eles realizam das 13h00 às 17h00, 13º Seminário para Profissionais Amigos e Familiares de A.A., no Auditório do 1º Grupamento Militar de Engenharia do Exercito Brasileiro, em João Pessoa, o 13º Seminário para Profissionais Amigos e Familiares de A.A. As inscrições para esse seminário dão direito a certificado de participação.

Com o objetivo de melhorar sua relação com a comunidade profissional e familiares de A.A., o evento se destinou a médicos; psicólogos; psiquiatras; enfermeiros; técnicos em saúde; terapeutas ocupacionais; terapeutas comunitários integrativos; odontólogos; técnicos em segurança do trabalho; advogados; psicanalistas; assistentes sociais; religiosos; jornalistas e radialistas; educadores; empregadores; gerentes de recursos humanos; agentes da justiça; delegados de polícia; militares das forças armadas; policiais civis e militares; policiais federais; operadores de transportes coletivos; agentes comunitários de saúde; funcionários públicos; integrantes de SIPAT’s; e cuidadores.

A Programação constará das seguintes palestras: “70 Anos de A.A. de História de Alcoólicos Anônimos com os Profissionais, Amigos e Familiares”, expositor Paulo C., Jornalista e Representante do A.A.; “Alcoolismo, Causas e Consequências Materiais e Espirituais”, expositor José de Anchieta, Padre da Pastoral da Sobriedade e diretor Conselho Municipal sobre Drogas (COMAD); “A importância do Serviço Social na Reintegração do Serviço Social de Alcoólicos na Sociedade”, expositor Janaina Cipriano Negreiro, Assistente Social da Polícia Militar; “Como tratar do Estresse e da Depressão Alcoólica”, expositor Edvaldo Brilhante, Médico Especialista em Psiquiatria; “Alcoólicos Anônimos e os Alcoólicos Encaminhados pela Justiça”, com o doutor Flávio Augusto F. de Lima, Juiz Titular da Vara de Execução Penais Alternativas de Recife (PE).

De acordo com o coordenador do XIII Seminário para Profissionais Amigos e Familiares de A.A., J. Barreto, a cooperação com a comunidade profissional amiga e familiares é um dos objetivos de A.A. e isso tem sido uma constante desde os primeiros tempos da Irmandade. “Estamos sempre procurando fortalecer e expandir nossa comunicação com os profissionais e acolhemos, com grande satisfação, seus comentários e sugestões. Eles nos ajudam a trabalhar mais efetivamente para alcançar nosso propósito comum, que é ajudar o alcoólico que ainda sofre”.

A Irmandade tem pautado as suas relações com outras entidades interessadas no alcoolismo pela cooperação, mas sem afiliação. Não apoia nem combate quaisquer causas, mesmo pertinente aos seus objetivos. Por essa forma A.A. e seus membros têm conseguido se manter ao largo de qualquer controvérsia pública, quer no campo da medicina, da política ou da religião.

  1. Barreto explicou que os profissionais que trabalham com alcoólicos compartilham um propósito comum com Alcoólicos Anônimos, ou seja, ajudar o alcoólico a parar de beber e levá-lo a uma vida produtiva e sadia. Não obstante, A.A. está numa posição de servir como um recurso à comunidade profissional. “Podemos servir como uma fonte de experiência pessoal com o alcoolismo e também como uma alternativa de apoio contínuo para a recuperação de alcoólicos”, concluiu.
Programação para estes sábado e domingo

As atividades comemorativas aos 70 Anos de A.A. no Brasil e 44 Anos em João Pessoa tem continuidade nestes sábado e domingo (16 e 17), com a participação de Al-Anon, na Escola Estadual Olivina Olívia.

Al-Anon

Funcionando paralelamente a Alcoólicos Anônimos, os Grupos Familiares Al-Anon são uma associação de parentes e amigos de alcoólicos que compartilham sua experiência, força e esperança, a fim de solucionar os problemas que tem em comum. Acreditam que o alcoolismo é uma doença que atinge a família e que uma mudança nas próprias atitudes pode ajudar na recuperação.

O Al-Anon abrange também o Alateen, que são grupos compostos por membros jovens (13 a 19 anos), que sofrem com o alcoolismo de um familiar ou amigo. O Al-Anon não está ligado a nenhuma seita, religião, movimento político, organização ou instituição; não se envolve em qualquer controvérsia, nem endossa ou se opõe a qualquer causa.

Não existem taxas para ser membro. O Al-Anon é autossuficiente, vivendo por meio das contribuições voluntárias de seus próprios membros. O Al-Anon tem apenas um propósito: prestar ajuda a familiares e amigos de alcoólicos. Isso é feito com a prática dos Doze Passos, encorajando e compreendendo os parentes alcoólicos, bem como acolhendo e proporcionando alívio a familiares de alcoólicos.

No sábado, a partir das 13h30, a programação constará de abertura com desfile de banners, bandeiras e palestras. À noite será realizada a mesa-redonda “Mídia e 70 Anos do A.A.”, para qual estão sendo convidados jornalistas, radialistas e produtores de conteúdos visuais amigos de A.A. que atuam nos veículos de comunicação e redes sociais da Paraíba. A mesa-redonda começa às 19h30 e os convidados receberão certificados de participação.

Às 20h30, acontece uma reunião de veteranos do A.A., seguida de uma reunião bacurau, com às 22h00 e que será coordenada por Grupos de Alcoólicos Anônimos. No domingo, a programação começa às 8h00 com temáticas, painel com perguntas e respostas, encerrando-se às 12h00.

Mais informações a respeito do assunto podem ser obtidas no Escritório de Serviços Locais de Alcoólicos Anônimos de João Pessoa – Paraíba (ESLAA-JP/PB). Telefones: 83-3222-4557 / 9-8658-4556.

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Renato Soares

Renato Soares

Bacharel em Administração, Graduando em Rádio & TV pela Universidade Federal da Paraíba, natural de joão Pessoa. Começou como fotografo e cinegrafista no Portal Livre e em seguida também como redator. Atualmente é webmaster e redator no Jornal A Página.

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