“Estou pagando por ter delatado os poderosos”, diz Joesley Batista

Empresário prestou depoimento em audiência de custódia nesta sexta-feira, em São Paulo; Justiça decidiu manter a prisão preventiva do dono da JBS.

O empresário Joesley Batista, do grupo J&F, afirmou nesta sexta-feira (15) que está preso porque “mexeu com poderosos”. A declaração foi dada ao juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo, durante audiência de custódia, em São Paulo. “Fui mexer com os poderosos e o dono do poder e estou aqui agora. Estou pagando por ter delatado”, disse.

Joesley Batista criticou também o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por ter rescindido o acordo de colaboração. Para o empresário, o PGR se sentiu pressionado por ter sido muito questionado e acabou anulando a imunidade. “Acho que esse foi um ato de covardia da parte dele depois de tudo que fizemos e entregamos de provas”, disse, acrescentando, “nós fizemos a maior e a mais efetiva colaboração”.

A audiência começou as 16h30 e durou cerca de meia hora, e se refere à investigação dos irmãos Batista no processo que apura o uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro. O juiz decidiu manter a prisão preventiva do empresário, alegando que, por suas condições financeiras, há “risco concreto de fuga”. Com isso, Joesley ficará preso na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo, na região da Lapa.

A decisão do juiz é uma resposta à argumentação do advogado de Joesley, Pierpaolo Bottini, de que a prisão preventiva nesse caso é arbitrária e que seu cliente seria a única pessoa presa no país pelo crime de insider trading – uso indevido de informação privilegiada.

“Operações naturais”

Durante seu depoimento, Joesley negou que tenha sofrido maus-tratos durante sua prisão e reafirmou que é inocente. Segundo ele, a negociação de ações feitas pela empresa na Bolsa de Valores, um dia após a divulgação dos áudios que envolviam o presidente da República, Michel Temer, foram “naturais”.

“Todas as operações foram naturais. Estamos tranquilos em afirmar que tudo foi feito dentro da normalidade”, disse. Segundo ele, as operações não tiveram como objetivo ter lucro ou prejuízo. “Vendi [ações] porque necessitava de caixa”.

“Vendemos antes, durante e continuamos vendendo porque precisamos de caixa. Por todo esse momento que temos passado, que é público, os bancos têm restringido o crédito para nós, não tem renovado as linhas de crédito”, explicou Joesley Batista.

 

Imagem ilustrativa: Reprodução / Internet

Fonte: Agência Brasil

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Gilson Alves

Gilson Alves

Radialista DRT: 1.743 – PB e Jornalista DRT: 3.183 – PB. Diretor Geral do Jornal A Página.

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