Sérgio Moro fala sobre a julgamento de Lula e critica o foro privilegiado na TV

Juiz da Operação Lava Jato também falou sobre produções culturais que abordam a corrupção no Brasil: “Precisamos reduzir a impunidade”.

O juiz da Operação Lava Jato , Sérgio Moro, deu entrevista, na noite de ontem, segunda-feira, ao programa “Roda Viva” , da TV Cultura. O magistrado foi questionado por Ricardo Setti, jornalista,  Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de São Paulo, João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado, Daniela Pinheiro, diretora de Redação da Época, Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band, além do apresentador Augusto Nunes, que se despediu da atração. Essa foi a primeira entrevista do juiz ao vivo.

Durante a sabatina, Moro falou sobre a corrupção no Brasil, política, a possível prisão do ex-presidente Lula, impunidade e rejeitou a tese de que o Brasil precisa de um “salvador da pátria”. Ele ainda falou sobre o status de celebridade após ser apontado como juiz da Lava Jato e sobre as produções culturais que se inspiraram na operação. Confira os principais tópicos abordados durante a entrevista.

Prisão após segunda instância

Logo em sua primeira resposta, Sérgio Moro se mostrou a favor da aplicação de penas após condenação em segunda instância. Segundo o juiz, o seria “ótimo esperar pelo julgamento final”, mas o sistema processual “generoso” do Brasil em relação à recursos impede que a justiça seja feita, uma vez que uma série de processos dura mais de uma década e muitos casos já prescreveram aguardando o trânsito em julgado. “Isso, na prática, é a impunidade. E essas brechas são especialmente exploradas por ricos e poderosos, que podem pagar os melhores advogados”, analisou.

Reflexos na vida pessoal

“Operações políticas como a Lava Jato levantam muitas paixões, tanto a favor quanto contra. Eu estou tranquilo quanto a minha participação nos julgamentos. Algumas pessoas, seja por motivos políticos ou ideológicos, não aceitam as nossas decisões.”, avaliou Moro. Sobre os fãs que ganhou ao longo dos anos, ele também foi categórico. “Não é uma questão pessoal. É uma conquista institucional. Houve uma certa identificação, ao meu ver não correta, desses trabalhos com a minha pessoa”, disse.

Lula

Condenado por Moro em primeira instãncia no caso do tríplex, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi citado por diversas vezes durante a sabatina. Primeiro, Moro rejeitou a possibilidade de um acordão para salvar o petista. “Como juiz, eu não posso acreditar em uma coisa dessa”, disse. “No entanto, o que os quadros da Operação Lava Jato é um corrupção sistêmica. Espero que o sistema reaja proporcionalmente a gravidade destes fatos”, completou.

Ele também disse que o julgamento do ex-presidente foi como qualquer uma das 114 condenações feitas por sua vara durante a Lava Jato e afastou a possibilidade de se tratar de um julgamento político.

Prisões preventivas e delações premiadas

Questionado sobre um possível abuso de prisões preventivas durante a Lava Jato, Moro disse que as detenções foram um “remédio amargo” para evitar que mais dinheiro fosse lavado. Segundo o juiz, por conta das preventivas, a Petrobras recuperou “bilhões” por conta da investigação.

Sobre as delações, Moro diz que o “departamento de propinas” só foi descoberto por conta de delações de ex-executivos da empresa.

Foro privilegiado

O magistrado também não poupou críticas ao sistema de foro especial para autoridades. “Nós temos que eliminar ou reduzir bastante o foro privilegiado. Quem sabe assim tenhamos processos mais rápidos”, disse. “Talvez para um presidente da República, presidente do Congresso ou outras autoridades específicas seja válido. Mas eu, como magistrado, tenho direito a foro privilegiado e acho isso absolutamente dispensável”, afirmou.

Brasil, corrupção e eleições

O juiz também foi questionado sobre o Brasil e as pequenas corrupções. Para Moro, não há nada de inerentemente corrupto no brasileiro. “Existe um problema de impunidade no nosso país. Mas a corrupção existe em todos os lugares do mundo”, disse.

Sobre as eleições, Moro disse que o Brasil não precisa de um “salvador da pátria”. “Nós não podemos pensar que com as eleições nós vamos resolver nossos problemas. O Brasil tem esse problema de acreditar que teremos um ‘Don Sebastião’ para redimir nossos pecados. As instituições se constroem no dia a dia.

 

Imagem destacada: Reprodução internet.

Antonio Cruz/Agência Brasil – 2.2.16

 

 

Fonte: IG.

 

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Gilson Alves

Gilson Alves

Radialista DRT: 1.743 - PB e Jornalista DRT: 3.183 - PB. Diretor Geral do Jornal A Página.

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