Paraíba Política

Assembleia Legislativa discute enfrentamento do HIV/AIDS na Paraíba

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou, nesta quinta-feira (3), Sessão Especial para discutir os avanços e desafios para o enfrentamento do HIV/AIDS no estado. A sessão, presidida pela deputada Estela Bezerra, fez alusão ao Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, lembrado no dia 1° de dezembro. Os deputados João Gonçalves, Janduhy Carneiro e Olenka Maranhão participaram da audiência.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), no Brasil, o número de pessoas infectadas pelo vírus HIV aumentou 11%, contrariando as estimativas pelo resto do mundo, onde houve uma queda de 28% dos casos, entre 2005 e 2013. Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, foram registrados 656.701 casos de Aids no País. Para a deputada Estela Bezerra, com o aumento de novas infecções causadas pelo vírus da AIDS, aumenta-se também o preconceito, e isso merece ser discutido. “Ao longo do tempo a AIDS produziu muitos impactos negativos na população. E essa epidemia, ao ser estigmatizada, se expandiu de forma generosa por todos os perfis da sociedade e por todo o nosso planeta.”, alertou a parlamentar.

A deputada ainda destacou que, apesar do aumento no número dos casos, o país vem conseguindo detectar e reduzir as metas de contaminação. “O Brasil conseguiu instituir um programa de acesso ao coquetel e, dentre outras coisas, brigou em cenário internacional por quebra de patentes para poder favorecer quem precisasse dessa medicação”. Para Estela Bezerra, “trazer este tema para a Casa de Epitácio Pessoa é extremamente valioso. Além de ser uma prática positiva para a humanidade, trás muita esperança na construção não só do direito, mas na construção do respeito e da integridade á pessoa humana na sua totalidade sem discriminação”, concluiu a parlamentar.

A deputada Estela Bezerra revelou ainda que existe um horizonte acordado internacionalmente e liderado pelo Unaids de acabar com os níveis epidêmicos da AIDS até o ano de 2030. “Considerando a gravidade dos impactos sociais dessa epidemia para a população, dentre eles a morte de homens e mulheres, jovens, adultos, idosos e crianças, o Estado brasileiro necessita de implementar estratégias intersetoriais de enfrentamento a essa epidemia, integrando as políticas de saúde, educação, assistência social, mulheres, diversidade humana e juventude”, pontuou.

A Secretaria de Estado da Saúde participou da sessão especial através da Gerência Operacional DST/AIDS/Hepatites Virais. A gerente Ivoneide Lucena, apresentou uma síntese das ações do Programa de Atenção Integral às Pessoas Vivendo com HIV/AIDS PVHA. Ivoneide revelou que o Governo do Estado tem realizado a descentralização de políticas públicas “levando aos municípios e implantando o teste rápido para HIV, para sífilis, hepatite B e hepatite C, com o objetivo de conseguir diagnosticar precocemente as pessoas que vivem com o vírus do HIV, da sífilis e das hepatites virais para que a gente inicie o tratamento cada vez mais rápido”, pontuou. O teste rápido apresenta resultado em apenas 20 minutos.

De acordo com a gerente operacional DST/AIDS/Hepatites Virais, uma vez que as pessoas diagnosticadas iniciem o tratamento elas vão melhorar a sua qualidade de vida e conseqüentemente não transmitirão o vírus para outras pessoas. “Dessa forma nós vamos conseguir barrar a transmissibilidade do vírus”, destacou Ivoneide Lucena.

Nos últimos anos o Ministério da Saúde constatou que a AIDS tem vitimado grande número de jovens. Ivoneide explica que a doença  já se tornou crônica, as pessoas não têm mais medo de morrer de Aids, mas alerta que infelizmente a doença não tem cura e é preciso se prevenir, ter cuidado e usar preservativos.

A gerente executiva da secretaria do Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Roberta Schultz, destacou a iniciativa da ALPB em realizar sessão alusiva a AIDS. “Essa ação é muito importante e marca a nossa luta contra a AIDS. Parabéns à Assembleia por essa iniciativa e por chamar todas as pessoas, agentes de Governo e movimentos sociais para discutirmos essa pauta aqui no estado”, afirmou Roberta. A gerente completou dizendo que  é extremamente importante acompanhar como as políticas públicas têm trabalhado no enfrentamento ao HIV/AIDS. “Temos uma Gerência de DST/AIDS e Hepatites Virais dentro da Secretaria de Estado da Saúde. Temos um hospital referência, que é o Clementino Flagra, que atende a todo o Estado da Paraíba, tanto na questão da prevenção quanto na questão da assistência às pessoas com HIV/AIDS. São políticas importantes dentro dessa gerência”, comentou.

A diretora do Complexo Hospitalar Clementino Fraga, Adriana Teixeira, demonstrou preocupação com o aumento de diagnosticados com HIV/AIDS em levantamento realizado pelo próprio hospital. “No ano de 2014, de janeiro a dezembro, nós tivemos 337 casos notificados no Hospital Clementino Fraga. No ano de 2015, nós tivemos de janeiro a outubro, quando a gente fez o fechamento este ano, 420 casos”, alertou a diretora. Adriana acredita que a união dos órgãos e das instituições juntamente com a sociedade civil em ações de prevenção pode vir a evitar que o número de casos continue aumentando no estado.“Temos que intensificar o trabalho. Hoje a prevenção é o foco principal do Hospital Clementino Fraga. As pessoas precisam usar o preservativo. Temos que trabalhar juntos. Em 2016 temos condições de fazer um trabalho ainda maior de prevenção em prol de diminuirmos esses números”, salientou.

A sessão especial contou também a presença do representante da ONG AIDS, Roberto Alves; do representante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo e Convivendo com HIV/AIDS, Adriano Passarela; da diretora do Complexo Hospitalar Clementino Fraga, Adriana Teixeira; do representante da União de Voluntários de Apoio aos Soropositivos, Edivaldo Fernandes; da chefe da Sessão Municipal  de DST/AIDS da Secretaria de Saúde do Município de João Pessoa, Clarice Pires; além de representante da sociedade civil organizada.

AIDS na Paraíba – A partir de junho de 2014 teve início a notificação de HIV na Paraíba com registro de 599 casos, sendo 165 HIV e 434 notificações de AIDS. Agora em 2015 esses números são 238 HIV, 506 pessoas com AIDS, totalizando 744 casos, respectivamente.

Na Paraíba desde 1985, ano do primeiro diagnóstico da doença no Estado, até 2015, foram notificados 6.248 casos. Nos dez primeiros anos, foi notificada uma média de 56 novos casos por ano. Mas, de 2005 a 2015, a média pulou para 375 novos casos a cada ano. Em 2014 foram 520 novos casos registrados e 140 estavam em idade entre 15 e 29 anos. Um aumento de 38,6% no número de casos entre jovens se comparado aos dados do ano anterior, 2013, que registrou 101 jovens contaminados entre os 329 novos casos.

 

Serviços de Referências para HIV/AIDS na Paraíba

CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) Pombal. Contato: (83) 3431-2609

CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) Princesa Isabel. Contato: (83) 3457-2481

CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) João Pessoa. Contato: (83) 3214-6091

SAE (Serviço de Assistência Especializada) Campina Grande. Contato: (83) 3322-3272

SAE (Serviço de Assistência Especializada) Cabedelo. Contato: (83) 3250-3141

SAE (Serviço de Assistência Especializada) Santa Rita. Contato: (83) 3032-0405

SAE (Serviço de Assistência Especializada) Patos. Contato: (83) 3422-2520

SAE CHCF (Hospital Clementino Fraga) João Pessoa. Contato: (83) 3218-5420

SAE FAMILIAR HU (Hospital Universitário Lauro Wanderley) João Pessoa. Contato: (83) 3216-7821

Hospital de Doenças Infecto Contagiosas Clementino Fraga. Contato: (83) 3218-5400

 

Informações com Assessoria 

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Brenow Muniz
Brenow Muniz
Paraibano da cidade de João Pessoa, estudante de Radialismo pela UFPB. Começou no Portal Livre, onde se tornou chefe de redação e reportagem. Passou pela TV UFPB, onde exerceu as funções de roteirista de programação e editor de imagens, e na Rádio Sanhauá, onde atuou como produtor e repórter. Atualmente é repórter político no Jornal A Página.

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