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João Pessoa: a cidade que perdeu o verde

Durante a  ECO-92, a conferência da ONU sobre o meio ambiente, a capital paraibana ganhou o título de “Cidade Mais Verde das Américas”, baseado na relação entre número de moradores e área verde (54,7 árvores por habitante na época) indicando ser aqui uma das melhores áreas urbanas para se viver no mundo.

Por 18 anos consecutivos João Pessoa foi a capital mais verde do Brasil, mas perdeu o título para Curitiba/PR em 2010, segundo um estudo sobre meio ambiente apresentado pela empresa alemã Siemens e a unidade de estudos da revista britânica The Economist. E a coisa só não está pior graças ao Jardim Botânico Benjamim Maranhão (Mata do Buraquinho), que ocupa uma área de mais de 500 hectares em espaço citadino.

Afinal, o que aconteceu ? Onde foram parar nossas árvores ?

Árvore cortada durante reforma do Parque Solon de Lucena, Centro de João Pessoa. (Foto: Diogo Almeida/G1 PB)
Árvore cortada durante reforma do Parque Solon de Lucena, Centro de João Pessoa. (Foto: Diogo Almeida / G1 PB)

Uma explicação plausível pode residir na onda de verticalização da cidade iniciada fortemente no começo dos anos 2000, quando muitos quintais cederam lugar ao concreto dos edifícios. Outra observação pertinente é o descaso de seguidas administrações com o plantio e manutenção de árvores em vias públicas, e a falta de investimentos na construção de novas praças e parques. A cidade cresceu e a equação “km² de área verde por número de habitantes” não acompanhou a proporção. O resultado vê-se em bairros ‘carecas’, carentes de respiradouros verdes.

A Zona Sul e o bairro do Bessa são bons exemplos da falta de arborização que deveria ter, segundo recomendação da ONU, um mínimo de 12 metros quadrados de cobertura vegetal para cada habitante. O populoso Bairro dos Bancários, por exemplo, só dispõe da Praça da Paz como área minimamente verde para seus habitantes, apesar do vertiginoso crescimento imobiliário. Pior nos bairros de Tambaú, Estados e Expedicionários, onde nem praça há. A Avenida Josefa Taveira, em Mangabeira, é de uma feiura incômoda, bem diferente da imagem de uma cidade verde que se vende lá fora.

A boa notícia é que está em curso, desde 2013, o projeto “João Pessoa Cidade Jardim”, onde a prefeitura municipal compromete-se a plantar mudas de espécies da Mata Atlântica numa tentativa de trazer de volta o verde característico da cidade. A recuperação da Praça da Independência é para aplaudir de pé.

A má notícia é que os resultados percebidos, até agora, são pífios e os ecologistas simplesmente sumiram da causa. E a mesma prefeitura que lançou projeto de rearborização é a que protagonizou a derrubada de 32 ipês amarelos na Avenida Beira-Rio no dia 14 de abril deste ano. Segundo a Seman (Secretaria de Meio Ambiente), 11 destes ipês foram transplantados. A reforma do Parque Solon de Lucena também causou a derrubada de árvores e ninguém parece ter dado a mínima.

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p style=”text-align: justify;”>Exigir transparência e diálogo da gestão sobre a condução, conservação e criação de espaços públicos para recuperar o verde perdido é apenas o começo. Arregaçar as mangas e fazer a sua parte enquanto cidadão é a atitude correta para quem quer deixar de herança uma cidade realmente boa de se viver.

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Vlamir Duarte
Vlamir Duarte
Graduando em Rádio & TV, natural de Bananeiras, apaixonado por artes, fotografia e formas de instigar o pensamento. No Portal Livre iniciei minha experiência profissional como redator, tendo depois exercido o cargo de chefe de reportagem e colunista. Escrever sempre foi meu hobby, contestar a melhor maneira de aprender a lutar por uma imprensa livre e isenta.

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